Uso racional para redução das contas de energia do condomínio.

São Paulo a noite

O valor da taxa condominial é certamente o maior motivo de preocupação e de reclamação dos condôminos.

Mas, muitas vezes, o valor pago mensalmente pelas despesas do condomínio apenas reflete o comportamento dos próprios condôminos. Os gastos com energia elétrica são um dos principais indicadores de que a conduta dos moradores ou freqüentadores está sendo onerosa ou não para o condomínio. O uso inadequado e exagerado da energia elétrica nas áreas e equipamentos comuns a todos resultará em altas contas, enquanto que o uso racional refletirá na redução de custos. Mas é possível reduzir despesas sem afetar o conforto e bem estar dos condôminos e a segurança do condomínio? Sim, asseguram os especialistas da área, mas somente através de alguns hábitos e consulta a profissionais especializados.

De acordo com a analista de Eficiência Energética da Coelba, Virgínia Forte, é preciso criar estratégias para o uso racional de energia elétrica. A primeira delas seria a adoção de hábitos de gestão do consumo de energia. Primeiramente, é preciso entender como funciona o consumo, explica ela, sugerindo que o responsável pelo condomínio crie uma planilha básica que detalhe o consumo nos últimos meses. Virgínia Forte ressalta que é importante que o consumo nos últimos meses. Virgínia Forte ressalta que é importante que o consumo de cada mês seja comparado com o do mesmo mês do ano anterior, tendo em vista que as diferentes estações do ano e outras circunstâncias (como férias e períodos de festas) interferem no consumo. A partir desta comparação, é possível tentar detectar as diferenças e suas causas, garante.

O segundo passo é ter uma pessoa responsável no condomínio que possa fornecer dicas de consumo, criar uma comissão interna de conservação de energia e/ou contratar uma empresa de consultoria, sugere Virgínia, indicando que o terceiro passo é verificar se o contrato de consumo com a Coelba está adequado. Muitos condomínios possuem subestação própria e contrato específico com um tipo de tarifa diferenciado, explica a analista, informando que existem diferentes pacotes de demanda de energia que são negociados entre o condomínio e a Coelba, de acordo com as características de consumo. Por isso, uma importante iniciativa é contratar um consultor para verificar se o contrato está realmente adequado ao condomínio. O consultor ou especialista (engenheiro eletricista) vai indicar as características do consumo após realizar um estudo tarifário, verificar o dimensionamento das cargas e do transformador, e se está acontecendo um excesso de consumo de energia reativa (alguns equipamentos deixam uma espécie de sujeira de transmissão, que é inerente ao consumo de energia). A Agência Nacional de Energia Elétrica ( Aneel) permite às concessionárias cobrar o excesso de consumo de energia reativa. Mas o impacto disso na conta de energia pode ser evitado através de adaptações necessárias à correção do fator de potência, feita por meio da instalação de capacitores, equipamentos que suprem o consumo de energia reativa.

Além da verificação por profissional habilitado das instalações e do perfil de consumo do condomínio, também são indispensáveis para a redução real dos gastos com a energia elétrica a introdução de técnicas que aumentem a eficiência do uso da energia e a eliminação de hábitos que causam desperdícios.

Dicas para uma melhor eficiência

A substituição de equipamentos que ocasionam excesso de consumo de energia elétrica por outros de melhor rendimento e a implantação de instrumentos de controle, como minuteria e sensor de presença, são algumas das medidas que podem reduzir significantemente o valor da conta de energia.

As minuterias são dispositivos elétricos que permitem manter as lâmpadas acesas temporariamente. Existem dois tipos: a eletrônica e a eletromagnética. Ambas permitem a instalação de sistemas coletivos ou individuais. No sistema coletivo, uma série de lâmpadas é conectada. O sistema individual é mais econômico que o coletivo e, ao contrário deste, permite ligar individualmente as lâmpadas de cada andar ao se acionar o botão de comando.

Os sensores de presença, também chamados de minuterias sensoriais, são equipamentos que acionam a iluminação ao detectar a presença de alguém ou de alguma coisa em movimento. Existem três tipos de tecnologias disponíveis: de infravermelho, que é sensível a fontes de calor (corpo humano); de ultrassom, que emite ondas de ultrassom que são rebatidas de volta ao receptor do sensor acionando a iluminação; e dual, pois combina as duas tecnologias em um só equipamento.

Os sensores de presença tendem a gerar mais econômica do que minuterias convencionais. Ambos são usados geralmente em corredores, escadas e nas áreas comuns do condomínio.

Para substituir o grande vilão das contas de energia, o chuveiro elétrico, o uso de energia solar para aquecimento de água. A medida pode ser adotada através da instalação de coletores solares ( placas) e do reservatório térmico ( boiler). As placas coletoras são responsáveis pela absorção da radiação solar; elas podem ser instaladas no telhado ou no chão do prédio, dependendo da área. Já o reservatório é um recipiente para armazenamento da água aquecida. Entretanto, a implantação de sistemas de aquecimento solar em edificações existentes pode ser complexa e deve ser avaliada por especialista.

O uso inadequado dos elevadores é outra fonte de gasto para o condomínio. Mas já existem sistemas que podem minimizar esse problema. Um deles é sistema contra duplicidade de chamadas, que, além de economizar energia elétrica, ainda protege o maquinário. Outro é o sinalizador de elevador preso, que emite um sinal sonoro após 15 ou 30 segundos caso um usuário prenda o elevador em um andar, com a porta aberta. Outro problema freqüente em condomínios é quando o elevador é utilizado como brinquedo por crianças. Caso uma criança acione vários botões, o sistema contra chamadas múltiplas permite identificar automaticamente quando o elevador para em três andares sem que nenhuma porta seja aberta.

Entretanto, se mesmo com a adoção de diversas tecnologias a conta de energia elétrica continuar alta, busque avaliar se também os usuários estão fazendo o uso adequado de energia. A conscientização das pessoas ainda é a estratégia mais eficiente para a redução do consumo de energia, ressalta Virgínia Forte. E quando falamos em conscientização também está em jogo a vigilância. Não só o síndico, como o zelador, os porteiros, os faxineiros e os próprios condôminos têm a responsabilidade de estar atentos aos hábitos que estão sendo prejudiciais à economia do condomínio.

A seguir a Revista do Secovi-BA listou algumas dicas a serem observadas.

Garagens

As garagens concentram o maior gasto de energia elétrica de muitos condomínios. Recomenda-se usar lâmpadas fluorescentes.

Desligar as luzes durante o período de menor uso e melhorar a iluminação natural.

Usar sensores de presença ou minuterias

Pintar as paredes com cores claras, pois ajuda a reduzir a quantidade de lâmpadas acesas.

Iluminar somente as áreas de circulação dos veículos e não os boxes.

Utilizar poucas lâmpadas de maior intensidade luminosa ao invés de várias lâmpadas de menor intensidade.

Rebaixar as luminárias instaladas entre as vigas do teto da garagem, para que a iluminação aumente.

Iluminação

Aproveitar o máximo possível o uso da iluminação natural em áreas comuns, abrindo janelas, cortinas e persianas em ambientes como o hall social, sala de visitas, etc. Recomenda-se também o uso de clarabóias, tijolos de vidro e policarbonato.

Importante desligar as lâmpadas em horários padrões seja por um funcionário ou com a instalação de temporizador.

Em áreas de circulação e hall, utilizar sensor de presença.

Usar lâmpadas eficientes nas áreas comuns (fluorescente compacta).

Em áreas de jardim, usar lâmpadas em LED.

Em quadras, usar lâmpadas de multivapor metálico.

No Natal, dar prioridade a enfeites em LED, que podem economizar mais de 70% de energia.

Elevadores

Nos horários de menor movimentação (entre as 22h e 6h), manter um dos elevadores desligados.

Não sobrecarregar o elevador, respeitando o peso e o número máximo de passageiros indicado na cabine.

Orientar os condôminos a utilizarem as escadas para subir um andar ou descer dois sempre que possível.

Fonte: Secovi- BA