Uso de combustível para usinas termelétricas ameaça indústria

Todas as 68 unidades do país estão funcionando com capacidade máxima.
Geração térmica é cara e poluente, pois usa óleo, gás natural ou carvão.

Com os reservatórios das usinas hidrelétricas em baixa, são as usinas termelétricas que impedem no momento um racionamento de energia. Mais caras e poluentes, precisam de combustível que ameaça faltar em outros setores industriais.

Quando o nível dos reservatórios das hidrelétricas cai, como agora, a saída é acionar as termelétricas. Todas as 68 do país estão funcionando com capacidade máxima, segundo o Operador Nacional do Sistema.

Estas usinas são responsáveis, hoje, por 20,57% da energia produzida no Brasil. O problema é que a geração térmica é cara e poluente, pois usa óleo, gás natural ou carvão.

Para ajudar a manter as termelétricas, o Brasil precisa importar gás no mercado internacional, e está pagando mais caro ainda. Agora é inverno no hemisfério Norte, aumenta a procura pelo gás para calefação, e, com isso, os preços sobem.

Nivalde de Castro, coordenador do grupo de estudos do setor elétrico da UFRJ, fez a conta do custo para manter as termelétricas ligadas. “Estima-se um custo de cerca de R$ 800 milhões por mês, que será pago por todos os consumidores nos próximos reajustes tarifários das respectivas distribuidoras”, diz.

As incertezas sobre a geração de energia derrubaram mais uma vez as ações das companhias do setor na bolsa de São Paulo. Os papeis da Eletrobras tiveram a maior queda.

Os problemas não param por aí. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro teme que o gás oferecido hoje para o setor seja desviado para atender as térmicas. “Faltar gás para indústria significa afetar produção, parar a produção, diminuir a produção de insumos que são muito importantes. Setores que podem ser são afetados fortemente por isso: petroquímicos, vidros, a parte de alimentos e bebidas”, diz Cristiano Prado, gerente de Competitividade Industrial e Investimentos da Firjan.

Já a Associação dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace) acredita que não haverá qualquer tipo de racionamento e que o cenário ainda está dentro da normalidade. “Não existe racionamento antecipado, até porque um eventual custo adicional da geração termelétrica, quando diluído no mercado, não chega a representar uma mudança de paradigma do preço da energia. O efeito desse custo adicional é muito menor, por exemplo, do que o efeito dos ganhos das recentes medidas para reduzir o custo da energia”, diz o presidente Paulo Pedrosa.

Anúncios